sexta-feira, 1 de abril de 2011

Para minhas amigas mães!


Hoje recebi um texto por e-mail que achei lindo e resolvi compartilhar com vocês:


Tudo passa. Passa mesmo?

Toda mãe tem seus mantras. Minha mãe tem os dela. Um, em especial, consegue provocar em mim reações muito diversas, dependendo da situação ou do meu humor, para ser sincera. Mamãe vive dizendo que “tudo passa”. Ela usa essa frase para me consolar quando estou cansada porque uma criança dormiu tarde e a outra acordou muito durante a noite. Ela fala isso também para me confortar quando eu me sinto impotente diante de uma pequena de um ano e meio que resolve não comer comigo, embora coma com a babá. Ela também resolve soltar essa quando me vê tentando fazer o impossível: tipo dar conta de tudo quando empregada falta, babá adoece, marido não está na área e eu tenho um compromisso inadiável.
Tem hora que eu concordo com ela. É quando meu olhar fica vago e eu me calo. Em outros momentos, eu me irrito e digo somente “não, não passa porque eu não quero que passe”.
Digo isso geralmente quando ela resolve me lembrar que a primeira infância das minhas filhas vai passar voando. Eu reajo porque super-interpreto o que ela diz. Em vez de me ater à frase de duas palavras, fico achando que “tudo”, para ela”, é um drama, um problema, uma gripe da qual eu quero me livrar.
Talvez eu devesse ter dito para minha mãe de forma mais clara que não suporto os dias em que eu me levanto da cama cansada torcendo para chegar logo a noite, quando voltarei a me deitar. Eu não suporto pensar assim e torcer para que um dia da minha vida passe como se não importasse o “enquanto isso”. Então eu digo “não, não passa”. É meu protesto. Não torço pelo dia em que eu não perderei mais uma estreia de filme ou um jantar com amigos  porque elas não me darão mais trabalho. Não estou com a mínima pressa de chegar o dia em que terei mais tempo para mim.
Eu não quero que passe como uma doença porque não é trabalho o que elas me dão, é prazer, amor, aprendizado, vida correndo. Os pequenos grandes desafios da maternidade/paternidade não são um problema do qual precisamos nos livrar. Eles são parte da vida que gosto de viver.
Eu só quero mesmo que ela durma, ou que coma, ou que eu aprenda a lidar com tudo isso sem ficar torcendo para que “passe logo”.  Não quero que tudo passe como quem torce para sair logo da cadeira do dentista porque o futuro, inevitavelmente, chegará.
Perdi a conta das madrugadas em que um de nós levantava para travar o mesmíssimo diálogo com a menorzinha. Ela gritava alguém. Ou chorava. Parecia pesadelo. Eu não sei vocês, mas o choro de uma criança na madrugada tem em mim o mesmo efeito de uma sirene de incêndio. Acordo em sobressalto. Se forem muitos sobressaltos na noite, corro o sério risco de perder o sono, esperando o incêndio que nunca vem. Mas eu ia falar do diálogo. A gente chega lá e pergunta para uma neném deitada no berço de olhinhos abertos.
-         Ei, o que houve?  Pode ficar tranqüila. Tá todo mundo dormindo em casa…
-         Mimindo…
-         Isso, todo mundo mimindo.
-         A Lelêeeee…
-         A Lelê tá dormindo bem aqui.
-         A papai…
-         O papai ta dormindo lá no nosso quarto.
-         A mamãee….
-         A mamãe tava dormindo mas veio aqui ver por que você chamou.
-         A Calol…
-         A Carol tem que voltar a dormir já também para a mamãe poder dormir e acordar feliz.
-         Feiz…
Depois de uns segundos de silêncio, eu tiro as mãos de cima das costinhas dela e digo o que vou fazer.
-         Mamãe vai voltar para o quarto dela e dormir, ta bom?
Uma vozinha rouquinha responde…
-         Ta bom….
Eu fico parada no escuro, praticamente sem respirar, para ter certeza de que ela não vai me chamar em seguida. Ao sair, torço para nada estalar, nem a porta, nem meus pés no chão e suspiro finalmente no corredor antes de voltar para minha cama. Desligo mentalmente o status “atenta para um novo alarme” e durmo.
Esse diálogo foi meu déja vu dos últimos meses. Repetia-se nessa ordem, com os mesmos comentários da Calol.  De uma hora para outra, passou. Carolina, 1 ano e meio, dá boa noite e não acorda mais de madrugada para checar se estávamos todos dormindo mesmo. Às vezes ela chora, é verdade, mas já não entabulamos mais o tal diálogo.
Esse post foi uma desculpa para dizer à minha mãe que, mesmo discordando dela, tudo passa.
Isabel Clemente é editora-assistente de ÉPOCA em Brasília

1 comentários on "Para minhas amigas mães!"

Aline Oliveira on 7 de abril de 2011 às 20:14 disse...

Gracinha de vc amiga!

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